A região próxima ao Mercadão Municipal, no centro histórico da capital paulista, mudará aos poucos de aparência. Em breve, o entorno deste que é um dos pontos gastronômicos mais agitados da cidade estará livre dos emaranhados de fios elétricos que poluem a paisagem urbana e trazem desconforto aos cidadãos.

Desde o ano passado, a equipe da Medral, da unidade da Vila Guilherme, de São Paulo, trabalha no local fazendo a substituição da rede aérea de distribuição de energia para rede subterrânea. O projeto acontece em seis etapas, cada uma envolvendo um trecho da área que circunda o Mercadão. Ele abrange o quadrilátero entre as ruas da Cantareira e Comendador Assad Abdala e as avenidas do Estado e Mercúrio. E vai além, estendendo-se de um lado pelo Parque Dom Pedro e Rua 25 de Março e, de outro, às Ruas Paula Souza e Mauá.

O trabalho envolve obras de infraestrutura civil, com a construção de galerias de dutos, poços de inspeção, caixas de derivação e câmaras transformadoras sob as calçadas. Envolve também a infraestrutura elétrica, com a instalação de cabos de média e baixa tensão, transformadores de 500 kVA, conexões e demais componentes necessários para pôr o sistema subterrâneo em funcionamento.

Assim que cada trecho é concluído, a rede é energizada. A empresa responsável pela distribuição de energia programa o desligamento da rede aérea e a retirada de postes e fiações. Até o final de 2019, serão substituídos 9 quilômetros de vias aéreas, que resultarão na retirada de quase 600 postes de iluminação.

Além de tornar a região mais bonita para os milhares de turistas que a frequentam diariamente, a rede subterrânea beneficia moradores e comerciantes da região. O enterramento dos cabos elétricos evita riscos de acidentes e de corte no fornecimento de energia em decorrência de ventos e quedas de árvores.

Para realizar o projeto, a Medral conta com 20 equipes de eletricistas e oito equipes de construção civil, cada uma composta por cinco profissionais, que se revezam nos turnos diurno e noturno, já que boa parte do trabalho precisa ser feita nos horários em que a circulação de pessoas é menor. A estrutura abrange ainda equipamentos especiais e quase uma dezena de caminhões equipados para atender às equipes em campo.

O trabalho é artesanal: toda a confecção de emendas, preparação e instalação é feita manualmente, em espaço confinado. Por isso, requer cuidados redobrados com a segurança, área em que a Medral vem registrando uma ótima performance. O time de redes subterrâneas trabalha há quase 3 mil dias sem acidentes com afastamento.

 

 

 

 

Pioneirismo em serviços para redes subterrâneas

 

O projeto no entorno do Mercadão soma-se aos outros que a Medral vem realizando desde 2004. Pioneira na prestação de serviços de manutenção e construção de redes subterrâneas no Brasil, a empresa foi uma das primeiras empresas de engenharia contratada, no país, para realizar essas atividades. Até então, esse tipo de obra era executada exclusivamente pelas próprias concessionárias de energia.

Nesses 15 anos, tem atuado na Grande São Paulo, e foi responsável pela substituição das redes aéreas para subterrâneas em locais de grande relevância para a cidade. Entre eles, o Parque do Ibirapuera, a Rua Oscar Freire e as Avenidas Rebouças, 9 de Julho e Eusébio Matoso.

A Medral também presta os mesmos serviços para a Light, no Rio de Janeiro, tendo atuado, entre outras, na substituição das redes da Transcarioca (Estrada Vicente de Carvalho), Ilha do Fundão e de toda a região no entorno do Parque Olímpico, antes das Olimpíadas de 2016.

 

 

Lazer, cultura e gastronomia

 

O Mercadão Municipal de São Paulo foi inaugurado em 1933. Projetado pelo arquiteto Francisco de Paulo Ramos de Azevedo, responsável por outros prédios que são ícones da cidade, como o Teatro Municipal, a Pinacoteca e o Palácio das Indústrias, o edifício passou a abrigar os comerciantes que, até então, vendiam seus produtos a céu aberto, no Mercado Central que funcionava na Rua 25 de Março.

Em seus mais 12 mil metros quadrados de área são comercializados legumes, verduras, frutas, queijos, carnes, aves, peixes e frutos no mar, especiarias, vinhos e produtos importados. Ali trabalham mais de 1,5 mil pessoas, que vendem diariamente cerca de 350 toneladas de alimentos.

O Mercadão tem um atrativo adicional: a gastronomia. O local recebe diariamente milhares de visitantes, incluindo turistas de outros cantos do Brasil e do exterior, interessados em quitutes como o pastel e o bolinho de bacalhau e o gigante sanduíche de mortadela servido em suas barracas.

 

Evolução das redes subterrâneas

 

As redes subterrâneas têm evoluído na medida em que os componentes utilizados em sua construção se desenvolvem. Os primeiros cabos, por exemplo, eram isolados com borracha não vulcanizada coberta com chumbo. Em 1862* começou a ser empregado um revestimento à base de juta e betume. Nos anos seguintes, papel impregnado com óleo, óleo fluído e outras técnicas que traziam riscos e dificultavam o trabalho de instalação, porque os fios eram úmidos.

Os cabos de polietileno reticulado chegaram apenas no final da década de 1950. Hoje, o revestimento é altamente seguro, com conexões termocontráteis, que se contraem e aderem ao cabo interno, promovendo o completo isolamento em instalações de baixa a alta tensão.

No Brasil, a primeira instalação subterrânea aconteceu em 1902, na região central de São Paulo, com três câmaras, cabos de baixa potência (até 2,2 kV) e transformadores alimentados a gás. De lá para cá, muita coisa mudou, mas a participação das redes subterrâneas na malha de distribuição de energia ainda é pequena. Estima-se que ela represente, hoje, cerca de 1% do total da rede de energia no país.

* Fonte: Redes subterrâneas no mundo, de Placido Antonio Brunherotto e João José dos Santos Oliveira, disponível aqui: http://twixar.me/x8Dn